“Riscos dos Agentes Biológicos na recolha, transporte e tratamento dos resíduos”

 

 

 

 

 

 

Índice

Introdução

Identificação dos riscos biológicos

Condições de exposição a resíduos biológicos perigosos

Resíduos sólidos urbanos

Carga de trabalho externa

Patologia infecciosa

Acidentes

Resíduos Hospitalares

Carga de trabalho externa

Patologia infecciosa

Acidentes

Resíduos Biológicos Industriais

Tipos de agente

Bactérias

Vírus

Fungos

Modo de acção dos microorganismos patogénicos

Transmissão das doenças infecciosas

Condições de contaminação

Parâmetros aferidores de toxicidade

Dose Letal

Rótulo

Embalagem

Manipulação

Transporte

Transvase

Vias de Exposição

Exposição por via cutânea

Exposição por via respiratória

Valores limites de exposição para substância nocivas no ar nos locais de trabalho

Ingestão

Redução do risco biológico - Medidas de prevenção

Trabalhos susceptíveis de exposição a agentes biológicos

Contentores de recolha, transporte de resíduos sólidos urbanos

Dimensões e peso

Contentores destinados a resíduos hospitalares

Contentores não incineráveis

Contentores para cortantes e perfurantes

Conclusões

Prevenção Primária

Prevenção Secundária

Prevenção Terciária

Bibliografia utilizada

 

 

 

 

 

 

Introdução

A Gestão adequada de resíduos é um desafio inadiável para as sociedades modernas. O desenvolvimento das actividades económicas em que existe o risco de exposição a agentes biológicos, aumenta significativamente, designadamente em resultado do desenvolvimento da investigação das biotecnologias através das quais se procede a sua produção e utilização, e nomeadamente a sua recolha após utilização e deposição como resíduo em destino final.

Os trabalhadores podem estar expostos a agentes biológicos com riscos para a sua saúde em muitas actividades, mas com toda a certeza , o estão na actividade de recolha e tratamento de resíduos de várias espécies, sejam urbanos ou  industriais, e mais intensamente nomeadamente em laboratórios de investigação, serviços hospitalares, laboratórios clínicos e de diagnóstico, matadouros, na recolha e tratamento de resíduos em diversos ramos da indústria e urbanos

Os agentes biológicos com efeitos nocivos para a saúde, podem formar-se por diversos processos, nomeadamente nos processos industriais em que o maior risco de exposição dos trabalhadores a agentes biológicos perigosos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1. - Identificação dos Riscos Biológicos

A noção de probabilidade ou possibilidade de ocorrência indesejada ou perigosa corresponde à definição de risco. O risco (ou factor de risco) mede a maior ou menor probabilidade da ocorrência de um evento indesejado ou perigoso.

Factor de risco - Causa de ocorrência ®lesão ou doença ®que  envolve :

O aumento ou diminuição da probabilidade de adoecer ou morrer ao praticar ou evitar um comportamento.

Associada à existência dos factores de risco encontra-se a noção de risco laboral, um conceito estatístico, que quantifica uma probabilidade de ocorrência de um acontecimento mortal ou lesivo durante o exercício da actividade profissional.

Os factores de risco laboral são uma componente (inerente ou concominante) de uma qualquer  actividade, que gera condições de probabilidade de grau diverso para que o acidente ou doença ocorra em consequência do exercício dessa actividade.

É fácil entender que são habitualmente inerentes às condições e processos do trabalho ou às exposições aos agentes biológicos existentes, levando à probabilidade de ocorrência de alterações na saúde dos trabalhadores. Outros factores concominantes não directamente relacionados com a actividade de  recolha, transporte e tratamento de resíduos podem constituir risco.

Um factor de risco laboral de origem biológica pode aumentar, resultando em diferentes taxas de incidência de acidentes de trabalho, doenças profissionais, ou outras alterações de saúde relacionadas com o trabalho.

1.1. - Identificação e Avaliação do Risco Biológico

 

Em relação a todas as actividades de recolha, transporte e tratamento de resíduos susceptíveis de apresentar um risco de exposição a agentes biológicos, devem ser determinados: a natureza, o grau e o tempo de exposição dos trabalhadores envolvidos, a fim de poderem ser avaliados os riscos para a segurança ou para a saúde dos trabalhadores e estabelecidas as medidas a tomar.

 

A avaliação será efectuada com base em todas as informações disponíveis, nomeadamente:

 

Ä     a classificação dos agentes biológicos que apresentam ou podem apresentar um perigo para a saúde humana;

Ä     as recomendações das autoridades responsáveis que indiquem a conveniência de submeter o agente biológico a medidas de controlo, a fim de proteger a saúde dos trabalhadores que estejam ou possam vir a estar expostos a tais agentes devido ao seu trabalho;

Ä     as informações sobre as doenças que podem ser contraídas devido á natureza do trabalho;

Ä     os potenciais efeitos alérgicos ou tóxicos resultantes do trabalho;

Ä     o conhecimento de uma doença verificada num trabalhador directamente relacionada com o seu trabalho;

 

Esta avaliação deve regular renovada e, em qualquer caso, sempre que se verifique

qualquer alteração das condições susceptíveis de afectar a exposição dos trabalhadores aos agentes biológicos.

 

1.2. - Condições de exposição a resíduos biológicos perigosos

 

Existem bastantes variáveis que condicionam a forma como o trabalhador dos resíduos é exposto a substâncias de risco biológico.

 

De entre elas podem referir-se a quantidade, a concentração de agente perigoso, a duração da exposição, o local da exposição e a respectiva duração.

 

Factores de concentração, têm importância determinante. Factores como tempo de exposição são também importantes. Também a frequência com que está exposto á substância perigosa tem elevada importância.

 

Deverá portanto, distinguir-se as características da exposição:

 

Exposição aguda local- ocorre numa zona localizada do organismo durante um período de tempo curto;

 

Exposição crónica local- ocorre numa zona localizada do organismo durante um período de tempo longo;

 

Exposição aguda sistémica- afecta um órgão especifico afastado do local da exposição, após uma exposição curta;

 

Exposição crónica sistémica- afecta um órgão especifico afastado do local da exposição, após uma exposição prolongada.

 

Para alem das características intrínsecas á substância, as circunstâncias próprias dos indivíduos, tais como o sexo, a idade, o estado físico e /ou psicológico, a alimentação, a actividade física, etc., são também aspectos a ter em conta quando se avalia a perigosidade de risco biológico para a saúde.

 

Há ainda alguns aspectos como sejam factores ambientais, condições de trabalho (tais como temperatura, pressão e humidade, composição da atmosfera) que pode influenciar a forma e/ou o grau em que uma substância interactua com o organismo.

 

Mesmo as condições sociais podem influenciar a resposta do indivíduo á exposição a uma substância biológica, ou seja, pode concluir-se que a perigosidade de determinada substância biológica perigosa depende de factores que lhe são intrínsecos e de outros que lhe são extrínsecos.

 

Consideram-se susceptíveis de risco biológico na recolha, transporte e tratamento 3 tipos de resíduos:

1º-Residuos Sólidos Urbanos (RSU)

2º-Residuos Hospitalares

3º-Residuos Industriais

1.2.1. -Residuos Sólidos Urbanos (RSU)

O produto com que lidam é composto por uma mistura complexa de sólidos de origem domestica comercial e industrial, cuja composição está sujeita a variações constantes e por vezes repetidas.

Embora a legislação  proíba a deposição de materiais perigosos é difícil o seu cumprimento e, quer por  descuido, quer intencionalmente, são depositados alguns materiais perigosos, criando problemas especiais e riscos adicionais aos trabalhadores da recolha transporte e tratamento dos resíduos.

Consideram-se resíduos sólidos urbanos (RSU) os seguintes resíduos:

a)      Resíduos Sólidos Domésticos- todos os resultantes da actividade nas habitações ou que produzidos em locais não destinados à habitação a eles se assemelhem.

b)      Resíduos Sólidos da Limpeza Publica- os desperdícios existentes na via publica ou depositados em recipientes adequados para o efeito.

c)      Resíduos Sólidos Comerciais- os resíduos provenientes de estabelecimentos comerciais, escritórios, restauração, serviços e similares.

d)      Resíduos Sólidos Industriais Equiparados a Resíduos Sólidos Urbanos- os resíduos provenientes das unidades industriais resultantes de actividades acessórias e que possuam composição semelhante á dos resíduos sólidos urbanos.

Sistematizando, os principais parâmetros com influência sobre a saúde dos trabalhadores  da recolha, transporte e tratamento dos (RSU) teremos:

I)Carga de trabalho externa

 1º) GASES

Ø      Gases combustíveis

Ø      Gases de fermentação de matéria orgânica

Ø       Produtos de Combustão;

2º) LÍQUIDOS

Ø      Líquidos lexiviantes de grande diversidade

3º) EXPOSIÇÃO A FACTORES DE RISCO FÍSICOS:

Ø      Condições adversas de temperatura e humidade;

Ø      Incomodo olfativo-compostos azotados e sulfurados;

4º)EXPOSIÇÃO A FACTORES INFECÇIOSOS:

a) Duas famílias de bactérias

Ø      Enterobactérias

Ø      Coccos

b) Vírus

Ø      Enterovirus

Ø      Poliovirus

Ø      Vírus da Hepatite A e B

c) Fungos

d) Parasitas

 

5º) OUTROS RISCOS BIOLÒGICOS

a)- Insectos e parasitas

b)- Ratos

 

II)Patologia infecciosa

a) DOENÇAS RECONHECIDAS PELA LEGISLAÇÃO PORTUGUESA

Ø      Laptospirose

Ø      Tétano

Ø      Brucelose

Ø      Raiva

Ø      Dermatofitas

b) OUTRAS INFECÇÕES MAIS PREVALENTES NESTES TRABALHADORES

Ø      Salmonelose

Ø      Bactérias enteropatogénicas (E. cili, proteus,...)

Ø      Enterovirus: poliomielite; hepatites virais .

Ø      Dermatoses infecciosas e fúngicas .

Ø      Tuberculoses .

Ø      Infecções O.R.L, e brôquicas.

c) OUTROS TIPOS DE PATOLOGIA

Ø      Eczemas de tipo alérgico ; não-infecciosos

Ø      Conjuntivites de contacto com pós gases ou goticulas líquidas .

Ø      Alterações cardiovasculares.

Ø      Alterações da fórmula sanguínea .

Ø      Patologia osteo-articular / Lombalgias .

 

III)Acidentes

1º) Lesões por traumatismo ou queda :

Ø      São muito frequentes os traumatismos de mãos ou pés por queda  de contentores.

Ø      Os escorregamentos com queda são acidentes frequentes, provocando lesões de gravidade variável .

2º) Intoxicação acidental por gases :

Ø      Metano

Ø      Monóxido de carbono .

3º) Outras causas de lesões :

Ø      Atropelamentos e acidentes ligados á circulação rodoviária .

Ø      Lombalgias de esforço .

          

1.2.2. - Residuos Hospitalares

Resíduos Clínicos e Hospitalares são resíduos provenientes de unidades de saúde, designadamente Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde, centros de Enfermagem, Laboratórios etc., e sempre que exista a possibilidade de contaminação susceptível de constituir risco para a Saúde Pública.

A existência de resíduos provenientes da prestação de cuidados de saúde a seres humanos, incluindo as actividades médicas de prevenção, diagnostico, tratamento e investigação, constitui um importante problema de saúde publica e ambiental e determina crescente atenção na salvaguarda dos efeitos negativos para os trabalhadores de recolha e que pode até afectar as populações.

A recolha e tratamento de resíduos hospitalares é um problema de maior acuidade, quer do ponto de vista da saúde publica, quer dos trabalhadores envolvidos.

Atendendo á evolução que se tem vindo a verificar nesta área, importa integrar nas acções que visam a eliminação destes resíduos os progressos que a técnica vem disponibilizando permitindo o recurso a distintas tecnologias de tratamento, classificar os resíduos e separá-los na origem.

Assim devem apresentar-se como susceptíveis de risco biológico os seguintes grupos de resíduos hospitalares

Não perigosos os grupos I e grupo II, e resíduos perigosos os dos grupos III e grupo IV, conforme a seguinte definição;

Grupo I- Resíduos equiparados a urbanos, são aqueles que não apresentam exigências especiais no seu tratamento.

Contem-se  neste grupo:

a)      Resíduos provenientes de serviços gerais( como gabinetes, salas de reunião, salas de convívio, instalações sanitárias , vestiários etc. );

b)      Resíduos provenientes de serviços de apoio (como oficinas , jardins, armazéns e outros );

c)      Embalagens e invólucros comuns ( como papel, cartão, mangas mistas, e outros de idêntica natureza )

d)      Resíduos provenientes da hotelaria , resultantes da confecção, e restos de alimentos servidos a doentes não incluídos no grupo III.

Grupo II - Resíduos hospitalares não perigosos- são aqueles que não estão sujeitos a tratamentos específicos , podendo ser equiparados a urbanos.

Incluem-se neste grupo :

a)      Material ortopédico: talas, gesso e ligaduras gessadas não contaminados e sem vestígios de sangue ;

b)      Fraldas e resguardos descartáveis não contaminados e sem vestígios de sangue ;

c)      Material de protecção individual utilizado nos serviços gerais e de apoio, com excepção do utilizado  na recolha de resíduos ;

d)      Embalagens vazias de medicamentos ou outros produtos de uso clinico e /ou comum, com excepção dos incluídos no grupo III e no grupo IV;

e)      Frascos de soros não contaminados , com excepção dos do grupo IV ;

Grupo de Resíduos Hospitalares de risco Biológico (grupo III )

São resíduos contaminados ou suspeitos de contaminação, susceptíveis de incineração ou de outro pré - tratamento eficaz, permitindo posterior eliminação como resíduo urbano.(RSU).

Inserem-se neste Grupo;

a)      Todos os resíduos provenientes de quartos ou enfermarias de doentes infecciosos ou suspeitos, de unidades de hemodiálise, de blocos operatórios, de salas de autópsia e de anatomia patológica, de patologia clinica e de laboratórios de investigação;

b)      Todo o material utilizado em diálise;

c)      Peças anatómicas não identificáveis;

d)      Resíduos que resultam da administração de sangue e derivados;

e)      Sistemas utilizados na administração de soros e medicamentos

f)       Sacos colectores de fluídos orgânicos e respectivos sistemas;

g)      Material ortopédico: talas, gesso e ligaduras gessadas contaminados ou com vestígios de sangue; material de prótese retirado a doentes

h)     Fraldas e resguardos descartáveis contaminados ou com vestígios de sangue;

i)       Material de protecção individual (EPI) utilizado em cuidados de saúde e serviços de apoio geral em que haja contacto com produtos contaminados ( como luvas, máscaras, aventais e outros)

 

Grupo de Resíduos Hospitalares de risco Biológico (grupo IV )

Resíduos hospitalares específicos, de vários tipos de incineração obrigatória.

Integram-se neste grupo:

a)      Peças anatómicas identificáveis, fetos e plancetas;

b)      Cadáveres de animais de experiência laboratorial;

c)      Materiais cortantes e perfurantes: agulhas, catéteres e todo o material invasivo;

d)      Citostáticos e todo o material utilizado na sua manipulação e administração;

 

Os resíduos devem ser devidamente acondicionados de modo a permitir uma identificação clara da sua origem e do seu grupo.

a)      Os resíduos do Grupo III em recipientes de cor branca, com indicativo de risco biológico;

b)      Os resíduos do Grupo IV em recipientes de cor vermelha, com excepção dos materiais cortantes e perfurantes que devem ser acondicionados em recipientes, contentores, imperfuráveis, todos com indicativo de risco biológico;

c)      Os contentores utilizados para armazenagem e transporte dos resíduos biológicos devem ser facilmente manuseáveis, resistentes, estanques, mantendo-se hermeticamente fechados, laváveis e desinfectáveis.

Os resíduos devem ser acondicionados em sacos de plástico (Rilsam) completamente selados aquente ,soldadura térmica, devidamente referenciados em relação à origem e ao conteúdo dos resíduos.

Quanto ás agulhas e seringas devem ser colocadas em contentores herméticos e incineráveis e também devem estar devidamente referenciados em relação à sua origem e ao seu conteúdo.

Cada unidade de saúde deve ter um plano adequado á sua dimensão, estrutura e á quantidade de resíduos produzidos para a circulação destes, devendo o circuito ser definido segundo critérios de operacionalidade e de menor risco para doentes trabalhadores da recolha e publico em geral.

Cada unidade de saúde deve ter um local de armazenamento especifico e separado para os resíduos biológicos devendo estar devidamente sinalizado.

            O compartimento para armazenamento de contentores deverá  cumprir como mínimos a s seguintes condições:

a)Localização

Ø      Proximidade ao local de remoção

b) Acesso

O acesso será autónomo e directo, livre de degraus, garantindo a deslocação dos contentores através de passagem com largura não inferior a 1,5 metros. Os eventuais desníveis serão vencidos por rampas.

c)  Pavimento

O pavimento deverá ser em material impermeável, resistente ao choque e desgaste. Deverá ter uma inclinação mínima de 2% convergindo para um ralo com sifão de campainha, ligado á estação de tratamento de líquidos  residuais do  hospital.

d) Paredes

Serão revestidas na totalidade de materiais que ofereçam as características de

impermeabilidade. 

d)      Ponto de água, iluminação e ventilação.

Deverão ser instalados pelo menos um ponto de água, iluminação conveniente , natural e artificial com aparelhagem de categoria estanque e assegurada a conveniente ventilação.

f) Dimensionamento

O dimensionamento do compartimento será em função da capitação volumétrica, periodicidade de recolha, devendo a sua capacidade mínima corresponder a três dias de produção. Caso seja ultrapassado o prazo referido, e até um máximo de 7 dias, deverá ter condições de refrigeração.

Deverá existir um plano específico de emergência.

Controlo Biológico

 

A determinação da concentração de substância perigosas no ar do posto de trabalho- Controlo ambiental é essencial para a vigilância das condições de trabalho e para identificação inicial dos riscos, mas não permite uma avaliação exacta dos valores de exposição de cada trabalhador durante o seu trabalho.

 

Equipamento de manobra

 

Os resíduos hospitalares representam um grave problema tanto para a segurança nos Centros Clínicos como para o meio ambiente.

 

Resíduos provenientes de pavilhões de infecto-contagiosos ou de laboratórios, produtos citostáticos, restos de anatomia patológica , materiais cortantes ou perfurantes.., são resíduos hospitalares contaminados biológicamente e altamente perigosos, cuja manipulação, transporte e eliminação requerem um tratamento especifico, rigoroso e seguro.

 

Os contentores para resíduos hospitalares contaminados, poderão ser de dois tipos:

Ø      Reutilizáveis .

Ø      Incineráveis

 

Equipamento de segurança

 

O equipamento de segurança é função do tipo e natureza da substância prejudicial á saúde.

 

Devem todavia, considerar-se dois tipos de equipamento relativos aos cuidados e comportamentos de segurança: o que visa a análise e avaliação dos perigos inerentes á utilização de substancias perigosas para a saúde do indivíduo ou para o ambiente (no local de trabalho ou para o ambiente em geral ) e o referente á protecção pessoal imediata

 

Regras de segurança pessoal

 

A segurança pode considerar-se sobre diversos aspectos: pessoais, comunitários (respeitante a um grupo ou comunidade de indivíduos ) e ambientais ( relativas ao ecossistema )

 

No que respeita á segurança pessoal, uma boa informação sobre as substâncias e/ou preparações com que se trabalha é essencial . Há pois a necessidade de um conhecimento pessoal ou da presença de um responsável , capaz de identificar os riscos e fazer cumprir os comportamentos de segurança adequados ao tipo de substância ou preparação.


 


A segurança é também uma questão de disciplina, que passa por vencer a tendência para desvalorizar o risco. Basta que a probabilidade de um acidente ocorra, seja não nula, para que ele possa acontecer.

 

A circunstância de um certo tipo de acidente nunca ocorreu, não garante que ele não ocorra, apenas aumenta estatisticamente a possibilidade de que venha a ocorrer, pelo que se deve assumir um comportamento considerado seguro.

 

1.2.3. - Resíduos Biológicos Industriais

 

São resíduos provenientes de unidades industriais ou processos industriais designadamente aqueles em que são utilizados substâncias, elementos, compostos ou misturas com risco de exposição a agentes biológicos perigosos tais como microrganismos, incluindo os geneticamente modificados, culturas de células e os  endoparasitas humanos susceptíveis de provocar infecções, alergias ou intoxicações.

 

Os agentes biológicos com efeitos nocivos para a saúde podem encontrar-se em diversas fazes do processo, nomeadamente  na recolha e transporte em que a exposição dos trabalhadores a agentes biológicos perigosos é mais exposta .

 

Os agentes biológicos são classificados, conforme o seu nível de risco infeccioso, nos seguintes grupos:

 

a)      Agente biológico grupo 1 - o agente biológico cuja probabilidade de causar doenças no ser humano  é baixa;

b)      Agente biológico grupo 2-o agente biológico que pode causar doenças no ser humano e constitui um perigo para os trabalhadores, sendo escassa a probabilidade de se propagar na colectividade e para o qual existem , em regra, meios eficazes de profilaxia ou tratamento ;

c)      Agente biológico grupo 3  - o agente biológico que pode causar doenças graves no ser humano e constitui um risco grave para os trabalhadores, sendo susceptível de se propagar na colectividade , mesmo que existam meios eficazes de profilaxia ou de tratamento ;

d)      Agente biológico grupo 4 - o agente biológico que causa doenças graves no ser humano e constitui um risco grave para os trabalhadores , sendo susceptível de apresentaram elevado nível de propagação na colectividade e para o qual não existem, em regra, meios eficazes de profilaxia ou de tratamento.

 

O agente biológico que não pode ser rigorosamente classificado num dos grupos anteriores deve ser classificado no grupo mais elevado em que pode ser incluído

(Artigo 4º-1. Decreto-Lei n.º 84/97 de 16 de Abril )

 

Tipos de agentes

 

Bactérias

As bactérias são seres unicelulares, procariotas (sem um núcleo verdadeiro), visíveis ao microscópio óptico e com muitas espécies patogénicas para o homem. Provocam doenças como a cólera, a difteria e a tuberculose.

 

 

Classificação das bactérias

Podem ser classificadas segundo vários tipos:

 

Ø      quanto ao tipo de respiração;

Ä     aeróbias- as que utilizam oxigénio na respiração.

Ä     anaeróbias- as que não utilizam oxigénio na respiração.

Ä     facultativas- as que podem viver com ou sem oxigénio

 

Ø      quanto á forma :

Ä     esféricas- cocos

Ä     em forma de bastonetes- bacilos

Ä     em forma de saca-rolhas- espirilos

Ä     em forma de vírgula- vibriões

 

Os cocos podem apresentar-se com disposições diferentes :

¨      isolados- micrococos

¨      aos pares- diplococos

¨      em cadeia- estreptococos

¨      em cacho de uvas- estafilococos

 

Ø      Quanto á coloração, com técnica de Gram, as bactérias podem corar :

Ä     De roxo- as Gram positivo (Gram +)

Ä     De vermelho- as Gram negativo (Gram -)

 

Vírus

Os vírus são agentes não visíveis ao microscópio óptico, filtráveis. São visíveis ao microscópio electrónico e são obrigatoriamente intercelulares, isto é só se multiplicam e desenvolvem no interior de células vivas. Não são seres unicelulares. São partículas com várias formas geométricas características, constituídas por um ácido nucleico e proteínas. As doenças provocadas por vírus denominam-se viroses.

 

Fungos

São seres vivos, uni ou pluricelulares, eucariotas, que podem provocar doença no homem. As doenças provocadas por fungos denominam-se micoses.

Modo de acção dos microrganismos patogénicos

O modo de acção destes diferentes microrganismos patogénicos pode ser:

Ø      por invasão directa, com todas as complicações provocadas pela sua presença;

Ø      por produção de enzimas e de toxinas, que são difundidas no organismo humano;

As toxinas produzidas pelas bactérias tem uma acção patogénica perigosa. Há dois tipos diferentes:

Ø      exotoxinas- são libertadas para o exterior da bactéria quando está viva;

Ø      endotoxinas- encontram-se no interior da bactéria e só se libertam quando esta morre;

Virulência dos microrganismos patogénicos

A virulência é o poder patogénico do microrganismo. Depende da combinação de três factores;

Ä     infecciosidade- capacidade de se estabelecer nos tecidos do hospedeiro, superando os mecanismos de defesa deste;

Ä     invasividade- capacidade de progredir e de se multiplicar nos tecidos do hospedeiro, e no sangue;

Ä     patogenecidade- capacidade que resulta das anteriores e da aptidão para produzir lesões por meio de substâncias tóxicas no hospedeiro;

Transmissão das Doenças Infecciosas

As doenças infecciosas transmitem-se através de uma cadeia- cadeia epidemologica

Agente causal ou invasor- agente biológico causador de doença (bactéria, vírus, fungos, etc.):

Reservatório- local onde o agente vive e se multiplica e do qual depende para a sua subsistência (homem, animal, planta, solo, etc.);

Porta de saída e porta de entrada- local de saída e entrada, respectivamente, do agente biológico-orificios naturais (boca, nariz, anus, pele etc.);

Via de transmissão- meio de transporte utilizado pelo agente para alcançar o hospedeiro- águas, alimentos, insectos, homem (fezes, urina, goticulas de saliva);

Hospedeiro susceptível- pessoa ou animal que permite a subsistência do agente podendo ou não, contrair doença.

 

Condições de contaminação

As circunstâncias de exposição a um ou vários agentes perigosos para a saúde, depende de circunstancias  várias, como sejam o desconhecimento ou ignorância, o descuido ou incúria,  deficientes condições de trabalho ou equipamento não apropriado.

No meio laboral na recolha, transporte e tratamento a exposição a agentes biológicos perigosos não será de certo voluntária mas poderá haver alguma dose de desconhecimento ou descuido na aplicação de uma protecção eficiente contra as substâncias que prejudicam a saúde.

 

É pois desejável que na actividade de recolha, transporte e tratamento de resíduos onde existam substâncias susceptíveis de risco de agentes biológicos o trabalhador se proteja recorrendo a algumas medidas de protecção e prevenção, que de resto a entidade empregadora tem obrigação de assegurar.

 

Parâmetros aferidores de toxidade

 

A capacidade de uma substância actuar como agente biológico tóxico, ou seja a sua toxidade, é geralmente referida em termos de quantidade de substância capaz de causar dano ou mesmo levar à morte uma dada percentagem de indivíduos a ela submetidos

 

A dose (D) define-se como a quantidade (expressa em mg por unidade de massa de corpo) do agente biológico perigoso para a saúde a que o organismo está exposto.

 

Em ambientes de trabalho, o trabalhador não está, em geral sujeito a uma dose única mas sim a uma exposição diária prolongada, especialmente em estações de tratamento de resíduos. Nessas circunstâncias convém considerar a concentração média de substância biológica (sendo então expressa em mg.m-3 e por turno de 8 horas de trabalho) a que um trabalhador fica exposto durante um dado tempo (T, em anos), ou seja a dose pode ser expressa por D=TxC.

 

Dose letal (LD)

 

Quando o organismo é sujeito a uma dose de um agente biológico perigoso, ocorre uma reacção no organismo que produz uma resposta que é função das características do agente biológico, da intensidade e forma de exposição, e ainda do tempo de exposição.

 

Uma forma de analisar o efeito produzido no organismo por uma dada substância biológica, consiste na respectiva resposta à dose.

 


Apresenta-se uma curva em (S), típica de variação da resposta em função da dose para um agente biológico letal.

 

 


A resposta, è o efeito provocado no organismo devido a exposição ao agente biológico.

 

A resposta deverá ser clarificada e poderá ser no caso limite, a morte. A variação da resposta com a dose permite definir a dose letal (LD). O parâmetro LD5o é correntemente usado para avaliar do caracter tóxico de uma substância e define-se como a quantidade (mg/kg) dessa substância letal para 50% dos indivíduos a ela expostos, em condições de teste  previamente estabelecidas.

 

O valor de LD50 corresponde ao ponto de inflexão. As doses letais para 5 e 95% dos indivíduos designam-se, respectivamente, por LD5 e LD95 . A forma da curva em S mais ou menos estendido está relacionada com os valores de LD5 e LD95. Uma curva em que os valores de LD5 e LD95.Uma curva em que os valores de LD5 LD95 sejam muito próximos revelam uma substância com pequeno valor de tolerância e elevado toxicidade. Ao invés, uma curva em que o declive seja pequeno, indica uma larga margem de segurança.

 

Consoante o valor de LD50 é comum classificarem-se as substâncias tóxicas em:

Ä     supertóxicas (< 5 mb/kg- LD50 < 10-2 )

Ä     extremamente tóxicas (5-50 mg/kg-10> LD50 > 10-2 )

Ä     muito tóxicas (50-500 mg/kg -102> LD50> 10 )

Ä     moderadamente  tóxicas (500 a 5000 mg/kg –103 >  LD50 > 102 )

Ä     pouco tóxicas (5x103-a 1.5x 104 mg/kg –104 >LD50 >103 )

Ä     praticamente não tóxicas ( >1.5x 104 mg/kg –105 > LD50 >104 )

 

Condições a ter em conta quando em presença de substâncias biológicas perigosas:

Ø      Identificação do grupo de risco biológico

Ø      Identificação da substância através da sua composição ( fórmula- rótulo )

Ø      Identificação do tipo de substância perigosa (símbolo e/ou código- rótulo )

Ø      Avaliação da segurança da embalagem em que a substância está contida, no que respeita á possibilidade de derrame ou lenta evaporação e consequente contaminação do ar.

Ø      Definição dos cuidados necessários para a sua manipulação.

Ø      Condições de  armazenagem no que respeita ao local e definição das condições adequadas de ventilação e temperatura.

Ø      Condições de transvase.

 

Rótulo

A primeira informação de que o utilizador pode dispor sobre a natureza de dado composto ou preparação, é aquela que existe no rótulo da embalagem que o contém.

O rótulo para além da identificação da substância, mostra ainda o perigo que decorre para o homem e para o ambiente da utilização daquela substância. Indica também as precauções a tomar quando da recolha do produto. É, por isso, de todo o interesse e conveniência que as substâncias ou preparações biológicas se encontrem devidamente rotuladas.

A legislação Portuguesa (Decreto –Lei n.º 280-A/87 e suas actualizações) adopta a norma comunitária estabelecendo categorias de substâncias perigosas de onde se inclui as relacionadas com riscos biológicos tais como:

-       Tóxica –Pequenas quantidades inaladas, engolidas ou absorvidas pela pele provocam a morte ou danos agudos ou crónicos à saúde.

-       Muito Tóxica- Muito pequenas quantidades provocam a morte ou danos agudos ou crónicos à saúde, quando inalados, engolidos ou absorvidos pela pele.

-       Tóxica (para a reprodução)- Aumentam a incidência de efeitos adversos, não hereditários, na capacidade ou função reprodutiva feminina ou masculina, quando inalados, engolidos ou absorvidos pela pele.

-       Nociva- Podem provocar a morte ou danos agudos ou crónicos à saúde, quando engolidos ou absorvidos pela pele.

-       Corrosiva- Destroem os tecidos vivos

-       Irritante- Provocam inflamação por contacto directo, prolongado ou repetido com a pele ou a membrana mucosa, mas não são corrosivos.

-       Sensibilizante- Ao penetrarem na pele ou por inalação iniciam uma reacção de hipersensibilização tal, que futuras exposições à mesma substância ou preparação originam efeitos adversos característicos.

-       Carcinogénica- Provocam ou aumentam a incidência de cancro por inalação. Ingestão ou por absorção cutânea,(Actuam ao nível do D.N.A.)

-       Mutagénica- Com capacidade de induzir defeitos genéticos hereditários ou aumentar a sua incidência, quando inalados, ingeridos ou por via cutânea.

-       Perigosa para o Ambiente- Substância ou preparação que provoca ou pode provocar um perigo imediato ou um perigo retardado, para um ou vários componentes do ambiente, quando a ele é admitida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DESIGNAÇÃO

SÍMBOLO

CÓDIGO

 

 

 

EXPLOSIVA



E

COMBURENTE

O

EXTREMAMENTE INFLAMÁVEL



F +

INFLAMÁVEL



F

MUITO TÓXICA



T +

TÓXICA



T

TÓXICA (para a reprodução)



T +, T ou Xn

NOCIVA



Xn

CORROSIVA

C

IRRITANTE ou SENSIBILIZANTE



Xi

CARCINOGÉNICA



T +, T ou Xn

MUTAGÉNICA



T +, T ou Xn

PERIGOSA PARA O AMBIENTE



<<N

 



Em algumas das classes de substâncias é evidente uma subdivisão em graus de perigo, todavia para além dessa caracterização, a designação e símbolo MUTAGÈNICA é considerado o usual indicador de substância de risco biológico.

Embalagem

A segurança da embalagem em que se transporta resíduos biológicos é sem dúvida um aspecto de elevada importância. Pela mesma razão que não se devem pôr em contacto espécies que possam interactuar e  aumentar a sua perigosidade, também se não devem recolher substâncias em recipientes com os quais possam reagir ainda que lentamente.

Para além do material de constituição da embalagem, há que ter também em conta a forma como estas são transportadas, havendo necessidade de acautelar e proteger a embalagem por forma a que esta se não danifique durante o transporte.

Por outro lado, a sua estânquidade deve ser perfeita para que não possam libertar vapores perigosos em veiculos sem ventilação.


Manipulação

A manipulação de resíduos biológicos, obedeçe a regras definidas pelo tipo de substância.

As  substâncias tóxicas, exigem protecção pesoal (E.P.I.) a nivel cutâneo e de vias respiratòrias.

Consoante o índice de perigosidade, será necessário o uso de luvas e máscara, ou mesmo a manipulação em câmara exaustora, ou no caso de ambiente não confinado, o uso de escafando poderá ser essencial.

Transporte

O transporte de resíduos biológicos exige cuidados decorrentes da sua natureza propriedades e perigosidade e quantidades a transportar.

O transporte de pequenas quantidades de substâncias ou preparações não especificas, obedece a regras de segurança análogos a os do seu manuseamento, para além de os contentores que as contêm deverem estar devidamente protegidos contra a possibilidade de derrame ou quebra.

Transvase

É por vezes necessàrio proceder ao transvase de um sólido ou líquido da sua embalagem original para contentor de recolha e transporte.

Nestas circunstâncias, deve atender-se a que a nova embalagem deverá ter caracteristicas de estanquidade e segurança pelo menos idênticas às da embalagem inicial. Para alem disso, quem procede ao transvase deve proteger-se consoante as indicações fornecidas pelo rótulo e as fichas de segurança que devem acompanhar a substância ou preparação.


Deve proceder-se ao transvase em local adequado quanto ao arejamento e temperatura, e, se necessário, fazer-se acompanhar dos agentes protectores (EPIs) considerados adequados. Em alguns casos, é totalmente desaconselhado proceder à operação de transvase sem um acompanhante.

 


Quem procede ao transvase deve ser capaz de reproduzir integralmente o rótulo da substância, por forma a que nenhuma das indicações do rótulo original se perca..

É ainda aconselhável a existência de cópia da ficha de segurança na proximidade do local da utilização do agente.

 

2. – Metodologias de Avaliação

 

2.1. - Vias de Exposição

 

São várias as vias pelas quais o indivíduo pode ser contaminado por substâncias ou preparações perigosas, a saber: via cutânea, via respiratória ou via digestiva.

 

A maioria das substâncias muito tóxicas, tóxicas, tóxicas para o sistema reprodutor, nocivas, irritantes sensibilizantes, carcinogénicas ou mutagénicas, penetram no organismo humano, através das  vias respiratórias. A inalação é de longe a forma mais importante de uma substância biológica perigosa interactuar com o funcionamento do organismo humano, porque ao ser arrastada pelo ar respirado ela atinge os pulmões e pode difundir-se através do sangue por uma área de 50-100m2.

 

Comparativamente, uma substância que penetre no organismo humano através da pele, tem apenas disponível uma área média de cerca de 1,8m2.

 

Em condições de trabalho a exposição cutânea e oral estão associadas, já que as mãos sujas(contaminadas ) ao levar alimentos ou cigarros á boca, promovem a absorção oral e por isso a contaminação por via cutânea é reforçada pela contaminação por via digestiva. Em rigor as três formas de contaminação estão intimamente associadas e na maioria dos casos ocorrem simultaneamente, embora com graus de extensão diferentes consoante a natureza da substância biológica perigosa para a saúde.

 

 

 

 

 

2.1.1. - Exposição por via cutânea

 

Uma importante via de exposição humana a uma substância biológica é sem duvida a epiderme, já que as paredes foliculares e as glândulas sebáceas possuem elevada permeabilidade, o que facilita a sua entrada no organismo.

 

O grau de permeabilidade da pele é em função do tipo de pele e da substância biológica á qual está exposta. No corpo humano existem células epiteliais de diferente espessura e caracteristicas, as quais conferem á pele diferentes permeabilidades.

 

Em geral as substâncias biológicas no estado liquido ou dissolvidas têm maior facilidade em atravessar a  epiderme, que as substâncias sólidas.

 

A pluralidade de uma substância, é outro aspecto que condiciona a sua penetração no organismo através da pele. As substâncias apolares atravessam mais facilmente a pele que as substâncias polares.

 

Um outro aspecto a ter em conta  ao caracterizar a facilidade com que uma substância penetra na epiderme é o fluxo sanguíneo na região exposta. A permeabilidade é inversamente proporcional à espessura da pele por isso pode dizer-se que se observa a seguinte ordem de permeabilidade:

 

Ø      Sola dos pés

Ø      Palma das mãos

Ø      Barriga

Ø      Costas

Ø      Pernas, braços

Ø      Zona genital

 

Cortes na pele, irritação ou esfolamento aumenta a permeabilidade o mesmo sucedendo quando o índice de hidratação é elevado.

 

Para além de terem a capacidade de penetrar no organismo através da pele, há certas substâncias que afectam localmente a zona da pele com a qual estão em contacto, provocando irritações que poderão originar dermatites.

 

Das irritações provocadas na pele  resultam:

 

Ø      Remoção de camadas de lipídos;

Ø      Desidratação;

Ø      Precipitação de proteínas;

Ø      Oxidação;

Ø      Dissolução da queratina

 

Certas substâncias afectam a pele, não de forma imediata, mas lentamente ao longo do tempo, dizem-se substâncias sensibilizantes.

 

Há sensibilizantes que requerem um tempo de exposição longo, até que se manifestem os efeitos. Há sensibilizantes que provocam sensibilização à luz solar.

 

Naturalmente todas as substâncias que irritam a pele irritam também os olhos e existem substâncias que para além da irritação, afectam gravemente o nervo óptico.

 

Agentes biológicos agressivos podem penetrar no corpo humano através de vias cutâneas. Em casos destes, é fundamental a utilização de vestuário adequado:


Botas, polainitos, aventais, luvas, viseiras, óculos e fatos completos, estanques ou simplesmente isolantes, são equipamentos indispensáveis.

 

 


2.1.2. - Exposição por via respiratória

 

A maior parte das substâncias com riscos de agentes biológicos entram no organismo humano através do sistema respiratório.

 

Nos pulmões efectuam-se trocas gasosas ao nivel das células havendo contacto directo entre a corrente sanguínea e a corrente gasosa, o que faz com que os produtos biológicos inalados possam provocar danos de forma muito efectiva.

 

Isto ocorre, porque ao nivel dos alvéolos a vigilância é pouco efectiva e o numero de defesas activadas do organismo é muito baixo pelo que através dos alvéolos as substâncias biológicas prejudiciais penetram muito rapidamente no organismo humano.

 

As substâncias biológicas prejudiciais á saúde, penetram no sistema respiratório superior através do nariz, garganta, traqueia e brônquios, os quais retêm as partículas de maiores dimensões quando se apresentam pela forma granolometrica determinada.

 

Quando em forma de gás alguns muito solúveis na água provocam grande irritação nas vias  respiratórias superiores, nariz e garganta, mas como se encontram dissolvidas são retidas na camada aquosa da membrana bronquial, não atingindo os pulmões pelo que não entram facilmente na corrente sanguínea.

 

As substâncias insolúveis podem provocar edema pulmonar porque ultrapassam rapidamente a membrana dos brônquios.

 

Algumas substâncias solúveis em água podem também acabar por provocar edema pulmonar, porque a irritação que provocam a nivel dos brônquios aumenta a resistência á passagem do ar, e origina a retenção de água no pulmão (edema).

 

2.1.2.1. - Valores Limites de Exposição para Substâncias Nocivas Existentes no Ar nos Locais de Trabalho

 

Os valores limites servem para interpretar os resultados obtidos por comparação aos valores de concentração dos produtos inalados pelos trabalhadores nos seus postos de trabalho: são portanto valores de referência que representam níveis de exposição aceitáveis, e que permitem verificar, quando a concentração de uma substância quantificada no local de trabalho pode causar alterações da saúde.

 

Não podem ser considerados como limites precisos entre situações perigosas ou não perigosas. Além disso, a sua validade limita-se aos casos em que só uma só substância nociva exista.

 

Estes valores de exposição estão fixados em diversos países, por instrumentos legais ou normas.

 

Em Portugal estão contemplados na Norma Portuguesa NP 1796 de 1988 homologada no Diário da República, III Série, n.º 23 de 28 de Janeiro de 1988.Tem como descritores (Segurança ocupacional; substâncias tóxicas; substâncias perigosas; ambiente trabalho; condições físicas de trabalho).

 

Para efeito da NP 1796 entende-se por:

 

Ø      Valores limites de exposição(VLE)- concentrações de substâncias nocivas que representam condições às quais se julga que a quase totalidade dos trabalhadores possa estar exposto, dia-após-dia, sem efeitos prejudiciais para a Saude.

 

Ø      Valor limite de exposição- média ponderada(VLE-MP)- valor limite expresso em concentração média diária, para um dia de trabalho de 8 h e uma semana de 40 h, ponderada em função do tempo de exposição.

 

Nestes casos as flutuações acima da média não devem exceder 3 vezes o VLE-MP

 

Em mais de 39 minutos, no total, por dia de trabalho, e nunca devem exceder 5 vezes o VLE-MP.

 

Ø      Valor limite de exposição- concentração máxima  (VLE-CM)- valor limite expresso para uma concentração que nunca deve ser excedida.

 

Para efeitos dos valores dos EUA entende-se por:

 

Ø      Threshold Limites Values (TLV)- expressa concentrações no ar de substâncias que representam condições abaixo das quais se crê que quase todos os trabalhadores podem estar expostos repetidamente dia-após-dia sem efeitos prejudiciais para a saúde. No entanto, pela alta variação da susceptibilidade individual, uma pequena percentagem dos trabalhadores pode experimentar desconforto a concentrações até mais baixas; e uma pequena percentagem pode ser afectada mais seriamente.

 

São consideradas 3 categorias de TLV:

 

Ø      Threshold Limit Value- Time-Weighted Average (TLV-TWA)- expressa concentrações para dias de trabalho normal de 8 horas e 40 horas semanais, às quais quase todos os trabalhadores podem estar repetidamente expostos, dia-após-dia, sem efeitos adversos.

 

Ø      Threshold Limit Value- Short-Term Exposure Limit (TLV-STEL)- expressa concentrações às quais os trabalhadores podem continuamente estar expostos durante um curto período de tempo sem sofrerem:

1.      irritação

2.      lesão tecidular crónica ou irreversível, ou

3.      narcose suficiente para aumentar as lesões acidentais, com a garantia de estar assegurado que o TLV-TLWA diário não seja excedido.

 

Estas exposições por curtos períodos não devem exceder mais de 15 minutos e ocorrer mais de 4 vezes ao dia; devem decorrer pelo menos 60 minutos entre sucessivas exposições a estes níveis.

 

Ø      Threshold Limit Value- Ceiling (TLV-C)-  expressa concentrações da exposição do trabalhador que não podem ser excedidas em nenhum período de tempo.

 

No caso de agentes biológicos perigosos, cuja via de penetração é, essencialmente, a respiratória, torna-se necessária a utilização de máscaras ou semi-máscaras ligadas a dispositivos filtrantes (filtros químicos de caracteristicas diferentes segundo o tipo de produto em causa, filtros de poeiras, filtros de aerossóis ou filtros combinados) ou de equipamentos de respiração autónomos, alimentados por ar comprimido, em garrafas, ou por compressor especial externo.


 

 


2.1.3. - Ingestão

 

As substâncias biológicas são introduzidas no sistema gastrointestinal através da boca, com trânsito pelo esófago antes de atingirem o estômago. Todas as substâncias que afectem a pele afectam também o sistema gastrointestinal provocando sangramento, perturbações e deformações.

 

Podem provocar efeitos graves nas paredes de todo o sistema gastrointestinal com as quais entram em contacto.

 

Todavia, de um modo geral já transitavam ao nivel da boca e esófago onde foram absorvidas, mas depende da sua natureza e das condições do meio.

 

Alguns agentes biológicos prejudiciais á saúde a um nivel físico, como sucede com as substâncias que alteram a frequência dos movimentos peristáticos dos intestinos.

 

O fígado é por excelência o órgão de rasteio que alem disso  tem também a capacidade de sujeitar as substâncias, os processos metabólicos por forma a reduzir a sua perigosidade. Contudo, ele próprio está muito sujeito a intoxicação uma vez que está fortemente exposto.

 

Uma das funções do fígado é a excreção da bilirrubina que é um produto metabólico do grupo “heme”da hemoglobina.

 

Diariamente, no organismo humano, são formados cerca de 300 mg de bilirrubina (este valor poderá ser superior se houver perda de glóbulos vermelhos ) que têm que ser excretados sob pena de bloquearem a actividade do fígado.

 

Os efeitos adversos de  algumas substâncias Biológicas perigosas resultam de impedirem a excreção da bilirrubina.

 

A prevenção da ingestão (via digestiva) de substâncias biológicas perigosas só pode ser conseguida, normalmente, por uma disciplina de trabalho que implica a abstenção de comer, beber ou fumar nos locais onde é possível a contaminação (exceptuando casos acidentais muito especiais).

 

 

3. - Medidas Preventivas a Adoptar

 

3.1. - Redução do Risco Biológico- Medidas de Prevenção

 

Nas actividades de recolha, transporte e tratamento de resíduos onde existe ou pode existir risco de exposição a agentes biológicos, devem ser tomadas as seguintes medidas de protecção da saúde e segurança dos trabalhadores:

 

Ø      conceber processos de trabalho e medidas técnicas de controlo a fim de evitar ou minimizar a disseminação de agentes biológicos no local de trabalho;

Ø      elaborar planos de acção em caso de acidentes que envolvam agentes biológicos;

Ø      utilizar o sinal indicativo de perigo biológico e outros sinais de aviso pertinentes;

Ø      ter medidas que permitam no local de trabalho manipular recolher e transportar, sem riscos, agentes biológicos;

Ø      limitar ao possível o numero de trabalhadores expostos ou susceptíveis de o ser;

Ø      fornecer aos trabalhadores material de protecção adequado;

Ø      efectuar a vacinação dos trabalhadores, contra os agentes biológicos a que estejam expostos, e para os quais exista vacina eficaz

Ø      realizar acções de informação/formação aos trabalhadores, sobre :

Ä     os riscos potenciais para a saúde;

Ä     as precauções a tomar para evitar a exposição;

Ä     as normas em matéria de higiene e segurança;

Ä     o emprego e a utilização dos equipamentos e do vestuário de protecção;

Ä     as medidas a tomar pelos trabalhadores em caso de incidente acidente e a sua prevenção.

 

3.1.1. - Trabalhos susceptíveis de exposição a agentes biológicos

 

- Produção de alimentos

- Agricultura

- Pecuária e outros que motivem contacto com animais e produtos animais;

- Unidades de Saude humana e veterinária, incluindo os locais de autópsia;

- Laboratórios de investigação, clínicos e de diagnóstico;

- Instalações de tratamento de águas residuais

- Recolha, transporte e tratamento de resíduos;

 

3.1.2. - Contentores de Recolha, Transporte de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU)

 

Biocontentores para resíduos sólidos urbanos- concebido para a recolha selectiva destinando-se basicamente, à deposição de substâncias orgânicas.

 

Mesmo o mais pequeno dos biocontentores, com uma capacidade de 80 litros, o que facilita o seu manuseamento pelo utilizador e pelos operadores do serviço de recolha.

 

Os requisitos ergonómicos deverão estar de acordo com as normas europeias, e deverão estar adaptados para todos os tipos de elevadores basculantes.

 

São geralmente fabricados em Polietileno de alta densidade, no final do seu tempo de vida útil caso não sejam incinerados poderão ser reciclados.

 


Dimensões e Pesos

 


Contentores Destinados a Resíduos Hospitalares

 

Terão de estar de acordo com a norma para contentores ou recipientes de materiais ou substâncias de origem infecciosas, destinados a ser incinerados (NORMA DIN 30739)

 

Esta norma foi elaborada para regulamentar os contentores ou recipientes para materiais e substâncias residuais, são utilizados para recolha e evacuação de restos de origem infecciosa, tais como fragmentos do corpo humano e substâncias de restos orgânicos procedentes de Centros Hospitalares, Clinicas, Clinicas Veterinárias e outras Instituições de Saúde Pública.

 

O contentor para materiais ou restos do tipo infeccioso è um contentor maciço, de uma só utilização (descartáveis), para recolha e transporte de materiais ou restos sólidos que são susceptíveis de provocar infecções aos seres humanos e aos animais.

 

Este contentor deverá ser incinerado conjuntamente com os resíduos, sem ser aberto.

 

Os volumes efectivos destes contentores são de 30 litros ou de 60 litros.

 

O diâmetro é de 400mm, e a altura máxima é de 710 mm, para o contentor de 60 litros e de 360 mm para o contentor de 30 litros,(Para estar dimensionalmente de acordo com os carregadores dos incinerados)

 

A designação de um contentor próprio para resíduos de carácter infeccioso, de risco biológico, destinado a ser incinerado, com um volume efectivo de 60 litros è:

DIN 30739-ABV 60, para 30litros DIN 30739-ABV 30.

 

O material em que são fabricados deve ser Polietileno de alta densidade reciclado.

Este tipo de contentores devem Ter as seguintes Caracteristicas Técnicas:

 

a)      Resistentes à perfuração

b)      Equipados com dois sistemas de fecho;

- Temporário: possibilita utilizações posteriores.

            -  Definitivo e Hermético: Impossibilita aberturas posteriores.

c)      Opaco

d)      Impermeável a toda a classe de gérmens, uma vez fechado possui carácter definitivo(2º fecho)

e)      Impermeável à água.

f)       Resistente à humidade.

g)      Equipado com dispositivos que facilitem o seu transporte.

h)     Fácil desinfecção.

i)       Aprovado para uma densidade de 0,3 Kg /litro

j)        Existência de união entre o corpo e a tampa.

k)      Estável e inalterável no momento de uma possível queda: um contentor hermeticamente fechado e sujeito a uma queda de 1,8 metros não abre nem parte.

l)       Empilháveis sem ocupar muito espaço, tanto cheios como vazios.

m)    Estanque: colocado na posição horizontal retém no seu interior todos os líquidos, pelo o menos durante 24 horas.

n)     Incineráveis, não podem contaminar o Meio Ambiente. Após incineração reduzem-  se a 2% de cinzas.

 

Depois de definidamente fechados torna-se possível o transporte para o exterior, sem qualquer riscos para aqueles que os manipulam.

 

O sistema da tampa deve permitir a abertura do contentor, sem ser necessário o contacto com o seu conteúdo.

 


Os contentores terão de ser aprovados pelo C.N.E. (Centro Nacional de Embalagens)

Contentores não Incineráveis

 

Alguns incineradores estão equipados com sistemas de elevação de contentores adoptados normalmente para um único tamanho de contentores não incineráveis.

 

Neste caso, os resíduos biológicos hospitalares devem ser acondicionados em duplo saco de plástico selados por termoresistencia devidamente referenciados em relação à sua origem e ao conteúdo dos resíduos e transportados em contentores PVC rodados com capacidade individual de 240 litros. Usa-se normalmente as cores corpo do contentor bege/tampa laranja, são fabricados de acordo com a norma DIN 30740-K 240,São equipados com duas rodas de diâmetro 200mm com jantes de Polietileno e bandas de borracha, fixadas em eixo de aço elecro-zincado. A tampa deve ser de fácil abertura e garantindo hermeticidade quando fechada, com duas pegas. São construídos

em Polietileno de alta densidade, estabilizado contra raios ultravioleta.

 

Contentores para Cortantes e Perfurantes (BIOBOX)

 

São contentores de um só uso, para recolha de agulhas, seringas e outro pequeno material descartável contaminado.

 

Devem ser projectados por forma a garantir durante a sua utilização a máxima segurança e higiene, ao evitar picadas, roturas de sacos e manipulações incorrectas por parte das trabalhadores, assim como evitam o risco de contaminação do meio Ambiente e de possível transmissão de riscos biológicos.

 

Contentor de 1 litro fabricado em Polietileno reciclado de alta densidade, fabricado de modo a proporcionar uma rigidez que evite a perfuração e garanta a impermeabilidade e estanquidade.

 

Devem possuir forma ergonómica e adaptabilidade anatómica para maior comodidade no seu uso e transporte.

 

Devem ser dotados de duplo sistema de extracção de agulhas:

 

Ä     A forma em V para extracção por pressão

Ä     A forma em U para extracção  do sistema Vacutainer ou venoyet

 

Devem também ser adaptáveis aos carros standard das enfermarias de tratamento , e ser empilháveis.

 

Não produzirem gases tóxicos na incineração, apresentarem a marca e o nome do fabricante bem como o símbolo europeu para identificação do tipo de material a que se destina.

 

Normalmente são fabricados nos tamanhos 1 litro 4 litros e 10 litros

 

Dimensões:

 

BioBox 1litro    comprimento 13,0 cm largura 6.4 cm altura 17,o cm

BioBox 4 litros comprimento 22,3 cm largura 22,3 cm altura 10,8 cm

BioBox 10 litros comprimento 22,3 cm largura 22,3 cm altura 23,4 cm


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Conclusões

 

Para além dos factores de risco biológico considerados, (Vírus, Bactérias, Fungos, Animais, Plantas)

Aparecem como características de factor risco:

 

Ø      associação estatística com alteração de saúde

Ø      presença ou aumento relevante confirmados antes da ocorrência da alteração de saúde

Ø      concomitância entre mudança da intensidade e a alteração da frequência da alteração de saúde (mudança do facto modifica a alteração de saúde)

Ø      confirmação de que a associação com a alteração de saúde não se deve à presença de artefactos (sesgos)

 

Acções Aplicáveis Frente a Problemas dos Trabalhadores da Recolha, Transporte e Tratamento de Resíduos

 

Prevenção Primária (imunização e outras medidas que evitem a ocorrência de danos)

 

Prevenção é a preocupação básica da saúde ocupacional e dos serviços de segurança, higiene e saúde no trabalho.

 

A prevenção associa-se, habitualmente, à promoção da saúde que não só considera os aspectos preventivos que propiciam a manutenção da saúde mas também propõe o desenvolvimento dos factores que contribuem positivamente para o bem estar.

 

A investigação é essencial para obter informação actualizada e precoce.

 

Os cuidados de prevenção primária baseiam-se em conhecimentos clássicos e validados pela experiência.

 

Não se pode aceitar que as soluções se desenvolvam tardiamente e tendo em conta informação desactualizada e não concordante com a realidade.

 

Devem ser criadas novas áreas de investigação adequadas à realidade no âmbito da prevenção primária.

 

a)Modelos de Actuação Genérica Dirigidas ao Trabalhador

 

Ø      Aplicabilidade no período pré-patológico

Ä     estímulo produzido pela exposição ou factor de risco

Ä     ocorrência de eventos sentinela

Ä     relações entre exposição ou factores de risco e o trabalhador

 

Ø      Eixos de actuação (Promoção da saúde e sua manutenção)

Ä     motivação, sensibilização e educação sanitária

Ä     investigação aplicada ao encontro de trabalho seguro e saudável

Ä     planificação e boa organização do trabalho

Ä     informação sobre factores de risco e meios de prevenção

Ä     participação generalizada, activa e consciente

Ä     adaptação do trabalho ao trabalhador

Ä     vigilância epidemiológica e saúde individual

Ä     monitorização ambiental

Ä     estilos de vida saudáveis

 

Ø      Eixos de Actuação (Protecção Específica)

Ä     controlo de doenças específicas (vacinação)

Ä     monitorização biológica

Ä     medidas de eliminação ou controlo de factores de risco

Ä     correcção de técnicas e condições laborais

Ä     protecção colectiva

Ä     protecção pessoal

 

b)Modelo de Actuação Genérica Dirigidas aos Factores de Risco

 

Ø      Aplicabilidade no período pré-patológico

Ä     preferentemente na planificação (antecipação)

Ä     na fase de montagem

Ä     precocemente quando o risco seja detectado já em funcionamento

 

Ø      Eixos de Actuação (Promoção da saúde e sua manutenção)

Ä     planificação cuidadosa: localização, construção e outros elementos

Ä     instalações, espaço e condições higiénicas de trabalho e de circulação

Ä     medidas de previsão e controlo de factores de risco

Ä     saneamento básico dos locais de trabalho

Ä     aplicações ergonómicas e organização do trabalho

 

Ø      Eixos de Actuação (Protecção Específica)

Ä     manutenção de equipamentos e dos locais de trabalho

Ä     técnicas de controlo e defesa contra factores de riscos biológicos, assim como físicos químicos, ergonómicos e psicossociais

Ä     monitorização ambiental na fonte e no ambiente geral

Ä     detecção de situações de alto risco e de risco combinado

Ä     casos especiais, como os riscos carcionogénicos, mutagénicos e teratogénicos

 

Prevenção Secundária (diagnóstico e tratamento precoces e adequados)

 

A prevenção no trabalho exige uma cooperação multidisciplinar e, para ser eficiente, necessita actuar em problemas e situações específicas, que justificam a cooperação entre os especialistas e técnicos que constituem a equipa de saúde ocupacional.

 

O referido justifica estudos de Epidemiologia, de Fisiologia do Trabalho e das alternativas que as diversas ciências e técnicas podem desenvolver, tendo como objectivos: manter a saúde e a capacidade de trabalho, promover o bem estar da população activa, melhorar a produção, incrementar a eficácia e a qualidade, e economizar sofrimento e perdas financeiras, sem perder de vista que todas estas acções devem corresponder a uma filosofia global e implicam respostas integradas, participativas e multidisciplinares.

 

a)Modelo de Aplicação Genérica Dirigidas ao Trabalhador

 

Ø      Aplicabilidade no período em que há manifestação patológica

Ä     reacções psico- somáticas do trabalhador

Ä     alterações ou lesões detectáveis

 

Ø      Eixos de actuação (Diagnóstico precoce e tratamento oportuno)

Ä     vigilância epidemiológica da saúde e registos médicos com boa história

Ä     capacidade de diagnóstico diferencial e de comprovação

Ä     primeiros socorros e cuidados médicos adequados

 

Ø      Eixos de Actuação (Limitação do dano e da incapacidade)

Ä     redução do tempo de exposição ao factor risco, em fase aguda

Ä     diagnostico das lesões e prognóstico da evolução

Ä     tratamento adequado

Ä     prevenção das complicações e sequelas

Ä     estimulação da capacidade e da integração laboral do trabalhador

 

b)Modelo de Actuação Genérica Dirigida aos Factores de Risco

 

Ø      Aplicabilidade no Período em que há manifestações patológicas

Ä     acontecem eventos não programados e indesejados

Ä     a monitorização ambiental e o estudo das condições de trabalho evidenciam indesejáveis exposições e factores de risco

Ä     além de alterações de saúde há dano de equipamentos e perturbações de trabalho

 

Ø      Eixos de actuação Diagnóstico precoce e correcções em tempo oportuno

Ä     eventos sentinela

Ä     monitorização ambiental

Ä     identificação de factores de risco

Ä     avaliação das exposições e factores de risco

Ä     vigilância epidemiológica de factores de risco

Ä     aplicação de medidas correctivas

 

Ø      Eixos de actuação Limitação do dano e da incapacidade

Ä     estudo doas postos de trabalho

Ä     redução de exposição e controlo dos factores de risco

Ä     incidência de erros

 

Prevenção Terciária (cuidados que evitem a incapacidade e promovam a reabilitação)

 

a)Modelo de Actuação Genérica Dirigidas ao Trabalhador

 

Ø      Aplicabilidade durante o período de tratamento

Ä     evolução para a cura clínica

 

Ø      Eixos de actuação (Limitação do dano e da incapacidade)

Ä     tratamento adequado após os primeiros cuidados

Ä     ajustamento contínuo de diagnóstico e prognóstico

Ä     reabilitação clínica precoce

 

Ø      Eixos de Actuação (Reabilitação e reintegração sócio-laboral)

Ä     sensibilização da comunidade e do empregador

Ä     motivação para as práticas de reabilitação precoce

Ä     uso das capacidades remanescentes

Ä     reintegração precoce ao serviço e recolocação

Ä     classificação das incapacidades

 

b)Modelo de actuação genérica dirigida aos factores de risco

 

Ø      Aplicabilidade no período em que coexistem alterações de saúde, mau funcionamento e perturbação

Ä     avarias frequentes

Ä     atrasos na recolha

Ä     baixa produtividade

Ä     necessidade de reintegrar diversos trabalhadores com incapacidade

Ä     alterações das quantidades

Ä     alta insatisfação sócio-laboral

 

Ø      Eixos de actuação (Melhorias ambientais, de funcionamento e de quantidade)

Ä     modificações tecnológicas e ergonómicas

Ä     controlo de factores de risco

Ä     campanhas correctivas integradas nas obras de reparação e de manutenção

Ä     renovação

Ä     transformações do processo de trabalho

Ä     mecanização, automatização e robotização

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Bibliografia Utilizada

 

W. Braker e A.L. Mossman, “Effects of Exposure to Toxic Gases-First aid and Medical Treatment”, Ed. Matheson Gas Products, New Jersey, 1970

 

M.J. Baptista, “Segurança em Laboratórios Químicos”, Ed. Universidade Nova de Lisboa, 1979.

 

Norma Portuguesa NP 1796-Elaborada por CT42 (IPQ)  Edição Março de 1990

 

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